Diário de bordo, cinquenta dias em casa: O home office perfeito não existe - e tudo bem!

No final de março vivemos um fenômeno de mudança repentina, onde a maioria das empresas precisou implementar o home office em tempo recorde, para a totalidade ou parte de sua equipe. Ao mesmo tempo, uma enxurrada de conteúdos na internet foi produzida sobre como trabalhar de maneira eficaz sem sair de casa: o “livro de ouro” do home office, Regras que pareciam inquebráveis como dogmas. Ainda que muitíssimo bem intencionadas, dicas de comportamento como “trabalhar em um ambiente ergonômico e confortável, manter uma rotina com horários regrados, alocar-se em um espaço silencioso e bem iluminado” mostraram-se utópicas e fogem à realidade da maioria da população. 

É claro, no início do trabalho remoto todos tomávamos aquelas recomendações pré-estabelecidas como inquestionáveis - afinal, em uma situação completamente nova utilizamos vozes mais experientes no assunto quase que como guias espirituais: se eles conseguem manter a saúde física e mental assim, deve ser o certo, afinal. A partir do momento que as recomendações de isolamento social se mantinham semana após semana, uma nova rotina se estabeleceu e uma parte do público que antes era acostumado a se deslocar todos os dias para o trabalho viu que era impossível adequar as tais recomendações à vida real.

Com filhos em casa tendo aulas em horário comercial, mais de uma pessoa da família realizando reuniões no mesmo ambiente e levando em consideração a arquitetura de casas “reais”, a regra geral de ambientes silenciosos, que favoreçam uma postura correta e focados na exclusivamente produtividade começam a perder o sentido. Se antes o trabalho remoto era visto como uma opção, que podia ser realizado tanto dentro de casa como em cafés ou espaços de co-working, atualmente é fácil sentir-se aprisionado pela necessidade de exercê-lo todos os dias no mesmo local, e uma consequência disso pode ser a queda no rendimento dos trabalhadores.

Ainda que situações que diminuem a produtividade possam ser contornadas - por exemplo, para quem vive em familia uma boa pedida pode ser organizar uma rotina colaborativa para cuidar dos pequenos e reservar horários específicos na agenda destinados à projetos profissionais -, em tempos tão difíceis onde simplesmente acompanhar o noticiário noturno torna-se um teste de paciência e empatia, o simples fato de estarmos tentando já significa muito e conta como uma vitória. Não devemos nos cobrar tanto por não atingir um ideal pré-estabelecido ao qual fomos condicionados. No final do dia, o que realmente importa é que nos sintamos confortáveis e acolhidos dentro de nossas próprias rotinas, tanto pessoal como profissionalmente. O ambiente de trabalho perfeito é onde quer que você se sinta confortável e que te motive a alcançar objetivos. E tudo bem nisso! 

Ao atingirmos a marca de quase dois meses trabalhando de casa, ficam algumas lições: 

  • Follow-ups são necessários: sem o contato físico diário, a comunicação entre os membros da equipe pode se defasar. Acompanhar os rendimentos, projetos e conquistas de cada um é essencial para que se mantenha um sentimento de colaboração e sinergia entre todos os colaboradores. 

  • Atenção aos horários: sem a rotina de desligar o computador e realizar o caminho de volta para casa, fica muito fácil perder a noção do tempo. Respeitar seus próprios horários e saber quando parar de trabalhar ou fazer uma pausa torna-se necessário, tanto por uma questão de gestão de tempo quanto de saúde mental. 

  • Planejamento é tudo: elaborar uma agenda bem definida com todas as tarefas de curto, médio e longo prazo ajuda a definir prioridades, a ter uma melhor gestão do tempo e a elaborar projetos colaborativos. 

Apesar de todos os desafios, quem consegue administrar seu tempo e conciliar o convívio familiar à produtividade com qualidade acaba, ainda, trabalhando melhor num regime de home office. Com o trabalho remoto evitam-se horas de trânsito, e os trabalhadores ganham tempo extra para passarem com quem mais amam. Aqui, uma dica importante: é necessário diversificar as rotinas de lazer para que estes não tornem-se uma obrigação ou atividade maçante pela força do hábito  O tempo livre adquirido pelo trabalho remoto pode ser utilizado para passar tempo com a família, jogar videogames, assistir a filmes e séries, ler livros, jogar jogos de tabuleiro, iniciar uma rotina de exercícios ou aprender algo novo através de cursos online. A lista de possibilidades é infinita e o céu é o limite no que diz respeito à diversificação da horários.  Quem sai ganhando é a saúde do colaborador, tanto física quanto mental.

Quando tudo isso passar, o home office será estudado como nunca fora antes. Aprenderemos todos novas maneiras de fazer as coisas, de nos reunirmos e celebrarmos conquistas. Colheremos todos novos valores desta experiência colaborativa e iremos dar um novo significado à palavra união.

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