(falta de) Criatividade

A escritora norte-americana Maya Angelou dizia que não é possível definir a criatividade, mas é algo que “quanto mais você a usa, mais você tem”.

Para Aristóteles, somos seres sociais, e as grandes conquistas da humanidade são todas frutos do instinto cooperativista com que nascemos. É de se imaginar, então, que o período de quarentena imposta seja desafiador no que diz respeito a descobrir novos estímulos e jeitos novos de se pensar fora da caixa. Ora, se ser criativo depende de incentivos para que a habilidade seja desenvolvida desde cedo, a vivência do ócio durante o período de isolamento social pode ajudar ainda mais nesse processo.

O papel das marcas agora é, em proporções iguais, utilizar sua voz para conscientizar e entreter seu público. Em um momento em que vivemos rodeados por notícias ruins, o usuário médio busca alguma forma de se desvincular desse turbilhão de emoções - e ainda assim manter-se informado e seguro. O papel de levar informações importantes com um tom de voz sutil cabe às marcas, que neste momento devem adaptar seus discursos de não apenas oferecer um produto, mas conversar com sua clientela com um estilo de conversa mais humanitário e empático. É momento de se focar não em vender, mas no branding que fará sua empresa ser lembrada e conquistar o afeto de seus seguidores. 

Presenciamos uma série de ações geniais nos últimos meses - a AmBev dedicando parte de sua força produtiva à distribuição de álcool em gel, o Mercado Livre alterando seu logo para reforçar o isolamento social, o quebra-cabeças da Heinz com todas as 570 peças na mesma tonalidade de vermelho para mostrar que “coisas boas levam tempo - e agora temos um pouco mais de tempo”, dentre muitas, muitas outras que chocam, fazem rir ou promovem reflexão sobre o tema. A questão é: a inovação publicitária nunca foi tão importante. Mas, é claro, como manter-se criativo se estamos afastados de todo o processo de criação que já conhecemos - sem podermos busca inspiração nas coisas mais banais das ruas ou numa conversa com colegas? 


 

Não existe uma solução única ou a recuperação instantânea da criatividade - mas algumas dicas de pequenos comportamentos que podem, sim, auxiliar nessa jornada que é tão pessoal para cada um: 

Esvazie a mente: durante o período de isolamento social é muito fácil ceder à rotina e saturar-se de notícias ruins em um grau excessivo. Procure tirar um tempo do dia para relaxar, sem nenhum estímulo externo. São dos momentos de reflexão cotidianas que surgem as melhores ideias. 

Ressignifique objetos comuns: procure pensar fora da caixa, busque jeitos novos de encarar as coisas que estão ao seu redor todos os dias. A diretora de arte responsável pelas capas icônicas da revista The New Yorker, Françoise Mouly, conta que um exercício de criatividade diário é buscar novas funcionalidades para objetos cotidianos - por exemplo, um cubo mágico ou uma xícara de café. 

Expanda seus horizontes: durante esse período de isolamento social, o que não faltam são conteúdos e cursos virtuais para aprender algo novo. Desde a teoria por trás da fermentação de pães até aulas sobre UX design, vale tentar de tudo. A inspiração pode surgir de onde menos se espera. 

Comunique-se: Voltando a Aristóteles: somos seres sociais. Qualquer conquista humana só é verdadeiramente celebrada quando compartilhada, e por isso é importante que nos mantenhamos em contato com familiares e colegas que nos incentivem a conquistar sempre mais. Mesmo que à distância, agendar chamadas de vídeo para colocar o papo em dia pode ser mais benéfico do que imaginamos. 

E, por fim mas não menos importante: mão na massa! O passo mais importante de qualquer processo criativo é começar a fazê-lo. Não tenha medo de ousar: deixar-se livre para criar talvez seja a principal dica para estimular a criatividade. E quando se trata de arte, nada é um erro. Não existe ganhar ou perder, só existe o fazer.Boa sorte!

 

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